O QUE ACONTECE AO CABELO NA TRANSIÇÃO CAPILAR
Decidiste parar de alisar. Talvez tenha sido uma decisão de um dia, talvez tenha sido uma ideia que foi crescendo durante meses. De qualquer forma, chegaste a este momento: o cabelo que nasce agora já não é o que costumavas ver no espelho.
E é aqui que a maioria das perguntas começa. Porque é que a raiz nasce diferente? Porque é que parece que o cabelo encolheu de um dia para o outro? E, sobretudo porque é que, exatamente onde as duas texturas se encontram, o cabelo começa a partir? Vamos por partes. - por Elena Ezau, Consultora Capilar e Coordenadora de Lojas THS
O que é a transição capilar
Transição capilar é o período entre parar de alisar (com químicos, com calor regular, ou ambos) e o momento em que só resta a tua textura natural. Não é um corte, não é um produto, é um processo. E é mais longo do que a maioria das pessoas espera: normalmente entre um e três anos, dependendo do comprimento que tinhas e da velocidade a que o teu cabelo cresce.
Durante esse tempo, tens duas texturas no mesmo cabelo e ao mesmo tempo. É essa convivência (e não a decisão em si) que torna a transição capilar tecnicamente exigente.
As duas texturas: porque a raiz nasce diferente do resto
A textura do cabelo é determinada pela forma do folículo. Um folículo redondo produz fio liso, um folículo oval ou assimétrico produz fio ondulado ou cacheado. Isto não muda com alisamentos, o alisamento (químico ou térmico) altera a estrutura da haste do cabelo já formado, não o folículo que a produz.
Por isso, quando paras de alisar, a raiz que nasce reflete sempre o folículo original. É a tua textura verdadeira, a que estava lá antes de qualquer tratamento. O comprimento que já tens, esse continua alisado, porque a alteração química ou térmica anterior fica na haste até seres cortada ou até o cabelo crescer o suficiente para ser cortada sem perder tudo de uma vez.
O resultado: dois comportamentos diferentes no mesmo cabelo. A raiz absorve produto de forma diferente, seca de forma diferente, reage à humidade de forma diferente do comprimento. Não é o teu cabelo "confuso", são duas estruturas distintas, geridas ao mesmo tempo.
O encolhimento: porque o cabelo natural parece mais curto
Um dos primeiros choques da transição é ver o cabelo "encolher". Não encolheu, a textura ondulada ou ondulada ocupa menos espaço vertical do que a mesma quantidade de fio liso. Um cabelo ondulado com 40 cm de fio esticado pode parecer ter 25cm quando seca ao natural, porque cada onda ou caracol "consome" comprimento visível.
Isto é normal e é permanente enquanto a textura for essa, não é sinal de quebra, salvo se o cabelo estiver visivelmente mais fino ou a partir com facilidade. Nesse caso, o problema não é o encolhimento em si, é a zona de fronteira.
A zona de fronteira: o ponto onde o cabelo parte
Este é o ponto técnico mais importante da transição capilar, e o que menos se explica. Onde a raiz natural encontra o comprimento alisado, a haste do cabelo muda de estrutura de forma abrupta, de uma fibra com uma disposição de ligações internas para outra, sem transição gradual. Esse ponto de mudança é mecanicamente mais fraco do que o resto do fio. Cada escovagem, cada penteado, cada laço de cabelo que passa exatamente por ali exerce tensão sobre uma zona já fragilizada.
É por isso que, sem cuidado dirigido, é comum a transição capilar resultar em quebra concentrada nesse ponto não ao acaso, mas sempre no mesmo sítio, ano após ano de crescimento.
A reconstrução é o que trata diretamente esta zona. O Olaplex nº0 Intensive Bond Building funciona antes do champô, reforçando as ligações internas do fio precisamente onde estão mais expostas, a zona de fronteira e o comprimento já danificado por químicos anteriores. Não é hidratação, e não substitui hidratação: é reconstrução da estrutura da fibra, que é o problema específico deste ponto do cabelo.
Big chop ou deixar crescer
Há duas vias para sair da transição, e nenhuma é "melhor" de forma absoluta depende do que consegues gerir no dia a dia.
Big chop: cortar o comprimento alisado de uma vez, ficando só com a textura natural. Elimina a zona de fronteira imediatamente (não há duas texturas, não há ponto de quebra), mas significa cabelo muito mais curto de um dia para o outro.
Deixar crescer: manter o comprimento e ir cortando aos poucos, à medida que a raiz cresce. Preserva o comprimento por mais tempo, mas prolonga a convivência das duas texturas (e com a necessidade de cuidar da zona de fronteira) durante todo esse período.
Não há decisão errada. Há a que se ajusta à tua relação com o comprimento e à tua disponibilidade para cuidar de uma zona de fronteira que, nalguns casos, dura anos.
Como cuidar durante a transição
Para quem opta por deixar crescer e mesmo para quem faz o big chop e ainda gere alguma diferença de textura no crescimento, três coisas fazem a diferença prática:
- Reconstrução regular na zona de fronteira, como já foi dito, com o Olaplex nº0.
- Gestão diária das duas texturas com um leave-in que não pese sobre a raiz nova nem deixe o comprimento seco. O Olaplex nº6 Bond Smoother funciona nesse equilíbrio, reduz frizz sem achatar o volume que a raiz natural já traz.
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Quando o crescimento já tem comprimento suficiente para reagir à humidade e enrolar por si, normalmente a partir de alguns centímetros, o objetivo inverte-se: em vez de disfarçar, passas a definir. É o momento de introduzir um definidor de caracóis ou texturizante, aplicado também nos fios mais lisos, de forma a criar alguma textura e movimento.
Não há um número fixo de semanas para esta troca, depende da velocidade de crescimento, do comprimento e do tipo de caracol.
"O meu cabelo volta ao natural?"
Sim, mas vale a pena dizê-lo sem romantizar. A transição capilar não é rápida, nem sempre é confortável, e há fases em que o cabelo parece não estar a ir a lado nenhum, sobretudo a meio do processo, quando as duas texturas estão mais equilibradas em quantidade e o resultado ainda não parece "definido" de um lado nem de outro. Essa fase de desânimo é normal e é temporária.
Do ponto de vista técnico, não há razão para o cabelo não recuperar a textura original, o folículo nunca deixou de a produzir. O que precisa de gestão é o processo, não o resultado.
Se estás a começar esta fase agora, o mais importante é escolher entre big chop ou deixar crescer com uma decisão consciente, e cuidar da zona de fronteira desde o primeiro dia, antes de ela se tornar o ponto de quebra.